Boa memória, e péssimos modos. É tudo o que tenho. Poucos sabem, mas eu não crio nada. Nem ninguém. Muito tempo passou, e sempre a mesma coisa: como você é criativo. Me sinto um ator, e dos bons. Poderia ser o Romeu, mas nunca tive Julieta. Talvez McBeth. Mas provavelmente me daria melhor como qualquer um que o Chevy Chase tenha representado, ou o Silent Bob.
As pessoas acham que eu vivo pensando nos outros, balela. Esse negócio de ser gentil é invenção. Eu só as vezes me pego usando o sapato dos outros, e então, resolvo o problema que acho que é meu. Compro briga alheia, mas não quebro os dentes. Respiro fundo e penso, não é problema meu, mas já virou.
E sempre aparece ela, uma mulher. Bate na porta, eu abro, mas antes de entrar me vira as costas. Eu fecho a porta. Ela mente para mim e pergunta: por que você bebe? Eu dou mais um gole e pergunto: por que você mente? Mentirosos e bebados costumam se encontrar nas vias do mundo, tipo yin e yang. Por isso admiro o sarcasmo, nunca se sabe se é verdade ou mentira, e tanto faz. O que importa sou eu, o egoísta mais inocente que já existiu, bêbado e mentiroso.
É tudo uma questão de sobrevivência. Ninguém vai fazer uma revolução. Ninguém vai salvar sua alma. Ninguém vai achar que você precisa de ajuda se você não pedir. Mesmo que você engorde 20 kg em seis meses, e que pare de sorrir, de chorar e de falar. Se você pedir ajuda, parece que o problema não é mais seu, e provavelmente não vão resolver. Não digo que sou um bom ator?
Ninguém vai te achar sozinho se você não demonstrar, mas se demonstrar, vão achar que você quer aparecer. E todo mundo quer aparecer, pode apostar. Tudo tem sua guia, e seu pagamento, as vezes, tem troco. Tudo o que não parece, pode ser, e as pessoas ainda acreditam na aparência. Por que quando parece, é?
E nada irá mudar. Nada irá te fazer sentir melhor. Nada poderá te levar a lugar algum, por mais que pareça, por que a vida é isso: um caralho grande, duro e grosso prestes a entrar na sua bunda. A hipocrisia é o KY. Eu prefiro morder a fronha.
Pressão é uma merda. Nasce, cresce, vive, casa, procria, morre, e no intervalo disso tudo, bebe uma cerveja. Não, obrigado. Eu trocaria toda a cerveja do mundo pela experiência de olhar a grama sem saber que denominaram sua cor verde. Toda a cor do mundo por uma coca gelada em uma tarde quente. Todos os sorrisos por um abraço de verdade e todas os fatos por argumentos infundados, mas sinceros.
Todo o meu sarcasmo pela mente do Drummond, e todos os livros do mundo para que Nietzsche estivesse certo, nossa vida não faz sentido se não há felicidade.
Eu trocaria toda a minha vida por um sentimento que ninguém explica, que quem matou deus banaliza e que quem diz que já teve, sofreu. Eu nunca sofri. Mas sobre o que escrevem os poetas que nunca amaram?
A panela é bem quente. Mas sabe, o ovo tem que estar no ponto. Se fica pouco tempo, fica estranho, quase cru, intragável. Se passa do ponto, queima. Pra alguns, é uma arte saber cozinhar um ovo, deixar com a gema dura ou mole. Eu sou partidário que só existem duas maneiras. A primeira, é a observação. Você vê tantos ovos sendo cozinhados diariamente que acaba pegando o jeito, sabendo o momento ideal de tirar da panela. A margem de erro é grande. A segunda, é por tentativa e erro. Essa não é muito econômica, mas proporciona melhores resultados, por se tratar de colocar a mão na massa, ou na casca. Enquanto isso, eu to quase queimando.
Eu gostava muito do caos até eu descobrir que a reação dele é a ordem. Desta eu gosto menos, mas disfarço. Quando eu não estou respirando, eu também não penso. Enxugo. Muitas vezes eu me vejo em um espelho daqueles de parque de diversão. Busco soluções nas músicas, que só trazem mais questões. A vida é um circo e advinha quem é o palhaço? Ai vou para os filmes, e lembro que o doce não é tão doce sem o amargo. Este é o nosso documento. Nós somos tudo o que fizemos. Continuo adorando as metáforas. De cegueira, de ódioadolescente*, de natal. Sempre me levando a sério demais, nunca batendo em portas que jamais irei abrir. Mas hoje é meu dia, me sinto no topo. Dei chocolate e atenção. Deixe-me ser o único a brilhar contigo, e juntos iremos longe.
*é necessário frisar o milagre duplo, sem citar o santo.
Foi assim que acabou em São Paulo. Arquitetos de fora re-arquitetaram as paisagens em estilos retrógados. O neo-clássico. Milhares de carros rastejam em vias esburacadas onde nem os tatus trafegam. É a cidade do stress. Diariamente pessoas cavam seus próprios buracos, esburacando mais e mais as já esburacadas vias ignoradas pelos arquitetos de fora. Buzina virou cortesia. Nomes feios, costumeiros. Agradecemos a quem rouba, mas faz. O ritmo alucinado de trabalho virou o mesmo para andar, comer e transar. A ejaculação precoce da metrópole. Milhares são apenas mão-de-obra no centro e apenas números na periferia. O apartheid monetário. Ruas cheias, mentes vazias, a solidão como desculpa. No carnaval é diferente. As cores tomam conta do cinza, e a alegria omite a verdadeira função: a de bufões. Desconstruimos o que desconhecemos e chamamos a sujeira em muros de arte. Pixação para os mais velhos. Decoração para os moradores de rua. Referência para os publicitários. (“Alguma coisa acontece no meu coração/ só quando cruza a Ipiranga com a avenida São João” – Caetano Veloso). O valor vem de fora, pois os nativos não têm tempo para reconhecer as constantes mudanças. Muitos não aguentam e se vão. Muito mais vieram de fora daqui. Ame ou odeie, mas questione, saboreie, participe. Minha doença é contagiosa. O cromossomo do porquê?
Eu não fazia muita lição de casa, é verdade. Sempre inventava alguma brincadeira com lego, ou jogava botão sozinho, ou mesmo jogava aqueles jogos jurássicos no computador, sempre acompanhado da televisão ligada na sessão da tarde. Era um ritual, um começo do que a molecada que mexe no msn, vê tv e fala no celular ao mesmo tempo, faz hoje. Minha mãe nunca entendeu, sempre me repreendia, ou desligava a tv. “Menino, ou você brinca, ou vê tv.” Ainda bem que eu não escutei ela, caso contrário eu teria um desses empregos de terno e gravata.
São tantos os filmes que eu sei de cor, mas o melhor era a trilha sonora. Billy Idol foi imortalizado em “Namorada de aluguel”, Cindy Lauper nos “Goonies”, Twist and shout teve sua melhor performance em “Curtindo a vida adoidado”. Tenho medo da criançada de hoje em dia, pois se não fosse o shrek….
A arte me apontou uma resposta para uma pergunta que não formulei. Ai eu fui tomar café, botei o meu pijama, yeah yeah. Depois acordei, não levantei e flutuei pela mente, em busca da pergunta, pois a resposta eu já sei. Isso já faz uns anos. Eu já bebi, já fiz coisas que não me orgulho, e cada vez mais a pergunta parece ser mais nítida a medida que se distancia. Então eu paro e volto pra essa vida, que volta e meia me questiona e eu não sei responder, afinal, para todo o resto a resposta foi dada. É simples e complexo, metade cheio, a outra metade também, por que eu sou feito de pensamentos que cada dia mais congruem para o longe ser um ex-perto.
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. ninguém estuda publicidade pra ser atendimento.
.. só existem duas torcidas em São Paulo: a do corinthians e as contra ele.
…
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- não importa ser o melhor no que faz, o que importa são os amigos que você tem.
- o seu não é nosso.
- o meu parece, mas não é seu.
- ninguém vai te defender, a menos que você se imponha.
- só se imponha se você for indispensável.
Dizem que é virtude, eu acho que é treino. Ainda não fui apresentado a nada que uma boa prática não aperfeiçoe. Mas concordo que existe um limite, que estou cada vez mais próximo.